Deputado busca sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas aliados criticam a falta de ‘resultados concretos’; procurado, ele não se manifestou
Há mais de três meses nos Estados Unidos, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mantém o discurso de “exílio político” enquanto articula sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A estadia, que completa quatro meses na próxima semana, tem recebido críticas de parlamentares do entorno do deputado que reclamam da falta de “resultados concretos” e reprovam o compartilhamento de viagens e eventos por sua esposa, Heloísa Bolsonaro, nas redes sociais, que inclui participação em rodeio e até uma viagem à Disney.
Eduardo e a família estão nos Estados Unidos desde fevereiro, mas a localização exata onde residem não foi informada. O filho do ex-presidente já expressou o desejo de permanecer mais tempo no país, considerando alternativas como pedido de asilo ou mudança para visto de trabalho. Ele inclusive admitiu que pode renunciar ao mandato. A avaliação dele, segundo aliados, é de que só poderá retornar ao Brasil se alcançar alguma sanção significativa contra o ministro do STF.
Durante esse período, Eduardo esteve na Casa Branca ao menos duas vezes. Em abril, publicou uma foto ao lado do comentarista Paulo Figueiredo Filho, descrevendo o momento como um “dia de trabalho” na sede do governo norte-americano.
A presença foi registrada também pelo ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller, que escreveu: “Adivinha quem está de volta?”. No mesmo mês, Eduardo divulgou um trecho de entrevista ao estrategista Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump e influente figura da direita no país. A maior parte das entrevistas, porém, tem sido dadas a veículos ou canais brasileiros.
Em maio, Eduardo divulgou encontro com Brian Mast, presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, e com o deputado Cory Mills – que questionou publicamente o secretário de Estado, Marco Rubio, sobre possíveis sanções a Alexandre de Moraes. Nesta sexta-feira, 13, Eduardo publicou estar em Washington mais uma vez, mas não revelou o motivoA reportagem tentou contato com o deputado diversas vezes, mas não obteve resposta.
Em entrevista ao Canal AuriVerde Brasil, em abril, Eduardo disse que a mobilização do bolsonarismo nas ruas fortalece sua atuação nos EUA. “Dá um conforto para a autoridade aqui nos escutar melhor”, afirmou. No entanto, a adesão aos atos tem diminuído. Em 6 de abril, a manifestação reuniu 44,9 mil pessoas na Avenida Paulista, contra 185 mil em fevereiro de 2024. No Rio, atos em março atraíram apenas 18,3 mil.
Apesar das demonstrações de esforços para buscar sanções contra Moraes, parlamentares acreditam que, até o momento, Eduardo não conseguiu entregar resultados concretos. Sua conquista mais contundente foi o pronunciamento de Rubio, que em audiência na Câmara declarou que “há uma grande possibilidade” de Moraes ser alvo de sanções com base na Lei Magnitsky. A fala de Marco Rúbio, no entanto, foi classificada por parlamentares como “genérica”.
Para um deputado próximo ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a “empolgação excessiva” de Eduardo e aliados como Paulo Figueiredo é “superestimada”, já que o Brasil não é prioridade para os EUA. Além disso, a piada de Bolsonaro ao sugerir Moraes como seu vice em 2026 durante o julgamento foi vista como um “erro estratégico”, por enfraquecer o discurso de enfrentamento sustentado por Eduardo.
Confira a íntegra no link do Estadão (clique aqui).