Publicada no final de 2025, a regulamentação do setor de criptoativos pelo Banco Central (BC) entrou em vigor a partir desta segunda-feira, 2 de fevereiro. Especialistas consultados pela IstoÉ Dinheiro explicam que o objetivo é ampliar a segurança sobre o setor.
Segundo o advogado Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em direito bancário e regulatório, o setor de criptoativos “cresceu rápido e com modelos de negócio que, na prática, funcionavam como infraestrutura financeira sem o mesmo dever regulatório”. Agora, as novas regras buscam corrigir essa distorção.
Para operar com criptoativos, as empresas necessitarão uma licença para atuar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV). As regras aplicam-se às corretoras, custodiantes ou intermediadoras de transações.
Para conquistar a autorização, as empresas terão de obedecer às mesmas regras já aplicadas ao restante do sistema financeiro em aspectos como proteção, transparência, prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, além de requisitos de governança, segurança, controles internos e prestação de informação.
As organizações ficarão, assim, obrigadas a reportar ao governo caso identifiquem indícios de lavagem de dinheiro, manipulação de preços, informação privilegiada, entre outras irregularidades. Também deverão manter relatórios contábeis sobre seus clientes, fortalecendo a estrutura contra a sonegação fiscal.
As empresas que já atuam com cripto no país terão 270 dias para se adaptar à nova regra, contados a partir de 2 de fevereiro de 2026. “Se não o fizer, pode ter de cessar a prestação dos serviços”, alerta o advogado Fernando Canutto.
Já as novas candidatas a atuar no ramo não poderão iniciar as atividades antes de ter toda a documentação acertada.