Expectativa de analistas é de alguma volatilidade no curto prazo e de maior cautela dos investidores em relação às instituições de menor porte
A intervenção extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, representa baixo ou nenhum risco sistêmico para o setor financeiro, segundo advogados ouvidos pelo Valor, mas deve pressionar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e reacender o debate sobre a modernização do arcabouço de resolução bancária, parado no Congresso. A expectativa é de alguma volatilidade no curto prazo e de maior cautela dos investidores em relação às instituições de menor porte.
O menor risco de contágio, mesmo sendo o Banco Master uma instituição de médio porte, decorre do perfil de captação, baseado principalmente em Certificados de Depósito Bancários (CDBs) vendidos a clientes, e não em Certificados de Depósito Interbancário (CDIs), que envolvem recursos de outras instituições financeiras.
Segundo Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados, “o risco sistêmico acaba sendo um pouco menor, mas sempre vai ter um abalo”.
Para Vicente Piccoli, sócio do FAS Advogados, a crise já havia sido antecipada.
— A gente não está falando de um movimento de surpresa, de algo que foi descoberto em uma auditoria e de repente pegou todo mundo de calça curta. Os riscos relacionados ao Banco Master já vinham sendo distribuídos, ainda que de uma forma que trouxe um passivo maior para o FGC — destacou.
Ele acrescentou que o Banco Central (BC) “não fez [a intervenção] de uma forma ligeira”, mas após “considerar várias alternativas”. O mesmo, segundo ele, vale para o FGC.
— Embora o FGC seja uma associação privada, é uma associação privada constituída por regulação do CMN e que atua muito de forma coordenada com o Banco Central. Para esse tipo de questão, o FGC já está por dentro dessa informação, já está preparado para reagir a isso.
O FGC é obrigado por lei a honrar os CDBs cobertos, dentro do limite de R$ 250 mil por CPF.
— Isso acaba dando um sossego para o mercado — avalia Godke.
Conforme mostrou o Valor, o Banco Master SA, líder do conglomerado, teve decretada a liquidação extrajudicial pelo BC, enquanto o Master Múltiplo foi colocado em regime de administração especial temporária (Raet). O Raet é aplicado quando ainda há viabilidade operacional em algum segmento da instituição.
Confira a íntegra da matéria no O Globo (clique aqui).