São Paulo – A proximidade da Copa do Mundo reacendeu a febre dos colecionadores, mas também abriu caminho para uma onda perigosa de crimes digitais. Com a alta expectativa e a corrida por figurinhas raras, criminosos estão utilizando sites falsos e ofertas “imperdíveis” para enganar torcedores e roubar dinheiro através de pagamentos indevidos.
De acordo com o levantamento mais recente da Kaspersky, o número de domínios maliciosos cresceu de forma exponencial em menos de um mês. Em 23 de abril de 2026, foram identificados os primeiros 20 sites fraudulentos. No entanto, entre essa data e o dia 20 de maio, outros 144 domínios foram registrados, totalizando 164 sites falsos que utilizam termos como “Panini”, “Copa”, “Futebol” e “Álbum” para atrair vítimas no Brasil, Portugal e em toda a América Latina.
Essas páginas reproduzem com perfeição o layout e a identidade visual dos canais oficiais, incluindo seções de “Adicionar ao carrinho”, cálculo de frete e até CNPJs falsos no rodapé para transmitir credibilidade.
Os golpistas exploram o bolso e o coração do torcedor. Enquanto o valor oficial de um pacotinho de figurinhas é de R$ 7,00, sites fraudulentos oferecem combos de 10 pacotes po R$ 34,90 — um valor claramente abaixo do mercado projetado para atrair quem busca economia.
O pesquisador líder de segurança da Kaspersky, Fabio Assolini alerta que o apelo emocional é a arma principal dos criminosos.
A popularidade da coleção e o medo de ficar de fora (FOMO) tornam-se a isca perfeita. Os criminosos exploram a pressa e a busca por bons preços para construir armadilhas digitais cada vez mais elaboradas”.
O advogado especialista em Direito Digital, Alexander Coelho, reforça que a ansiedade do consumidor faz com que ele “baixe a guarda” diante de páginas sofisticadas que replicam a aparência de lojas legítimas. Já o especialista em cibersegurança e direito do consumidor, Fernando Moreira, destaca o uso de gatilhos mentais de urgência, como mensagens de “últimas unidades” ou “condição especial válida apenas agora”, para forçar uma decisão impulsiva.
O método de pagamento preferido dos golpistas é o Pix. Ao finalizar a compra, o valor é enviado para contas de “laranjas” em fintechs e rapidamente pulverizado em diversas outras contas, o que torna a recuperação do dinheiro quase impossível para a vítima.
Alexander Coelho orienta que o torcedor verifique sempre o destinatário da transferência: “Em muitos golpes, o PIX é direcionado para pessoas físicas ou empresas sem qualquer vínculo com a marca anunciada”.
Para não virar estatística nesse esquema, especialistas e a Kaspersky recomendam:
A vigilância deve ser redobrada, pois a tendência é que novos domínios maliciosos continuem surgindo até o início do torneio. Na dúvida, pare e verifique as informações antes de concluir qualquer pagamento.